terça-feira, 27 de março de 2012

Dom, o Psicanalista de Mata-cavalos


Dom, o Psicanalista de Mata-cavalos
Autora: Verluce Ferraz

Machado de Assis, quando escreveu o seu Dom Casmurro, não estava apenas escrevendo uma
obra com seres encantados, fabulosos, ou de contos de fadas; tampouco se
colocando entre aqueles personagens. Estava elaborando um trabalho científico
literário; criando personagens com personalidades e características quase
humanas. Os escritos de Machado de Assis estarão sempre acompanhando o
movimento da realidade. O estilo que buscava era o profissional da psicologia,
porque busca entender a psique do humano na construção de seus personagens, por
isso era necessário acompanhar o movimento desses profissionais (da medicina,
dos pesquisadores da alma...).É fundamental reconhecer a obra machadiana como
documento que foi disponibilizado num período de construção da psicologia.
Escrever o Dom Casmurro era uma forma especial de escrever uma história,
empregando temas científicos em forma de romance. O autor estava construindo conhecimentos com
dados em informações de profissionais da área da medicina. No momento da
elaboração de Dom Casmurro não havia, ainda, instituições com critérios
fundados na ciência da psicologia. Todo conhecimento era limitado pela
complexidade da matéria. E o empenho dos estudiosos era ter conhecimento dessa
área; conquistar autoridade e o reconhecimento de um método para compreender o
humano, e colocar esse método e técnicas ao alcance de todos. Como romancista
Machado de Assis constrói seus personagens excêntricos, com problemas de
comportamento, etc. A psicologia, naquele momento, não era entendida como
ciência e Machado de Assis se deteve no processo de compreensão da essência do
humano, aprofundando as técnicas que seriam conhecidas e reconhecidas depois
que foram aplicadas pelo professor vienense (Freud). O método e as técnicas
empregadas por Machado de Assis são históricos. Não se conhece que tenha havido
reconhecimento até hoje dessa forma de compreender esse lado do escritor e
pesquisador de gabinete que era Machado de Assis. Assim a finalidade é mostrar
que Machado de Assis precisa ser reconhecido como o escritor que analisou a
alma humana através da construção de seus personagens; colocar o Dom Casmurro
no eixo da história da psicologia e psicanálise, para que seja apreciado e
aprofundado e depois colocado como eixo no processo formal e histórico dessa
área de conhecimento.

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dom Casmurro a luz da psicologia

Machado de Assis foi um dos primeiros escritores brasileiros a trabalhar um romance colocando personagens com a função de analista/analisado nas tramas de uma obra de ficção da literatura. O autor empregou o "método da associação livre" semelhante ao utilizado pelo pai da psicanálise. Para Verlluce que observou o fenômeno na obra machadiana "o Dom Casmurro" esse seu ponto de vista poderá trazer respostas às questões vistas como "verdadeiros enigmas" envolvendo os personagens Capitu/Escobar/Bentinho/Ezequiel. No entanto, adianta: - Há muita resistência por parte de alguns estudiosos da obra machadiana, que ainda não aceitam a explicação; explica: Machado de assis foi também um grande observador e grande estudioso do comportamento humano.. Espero que o autor do Dom Casmurro receba mais essa homenagem e reconhecimento pelos trabalhos deixados por ele. Afinal, foi o próprio Machado de Assis quem escreveu: " - e aqui dou à meditação dos psicólogos e deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo". Machado de Assis Verlluce diz que breve o personagem mais casmurro do pleneta precisa receber mais esse título, essa homenagem: ser colocado como um dos primeiros estudiosos da psicologia no Brasil. " - O meu trabalho não é para diminuir o mérito da obra, nem tampouco de Machado de Assis, também não é para receber qualquer homenagem em lugar do autor do Dom Casmurro, é sim, mostrar que Machado de Assis ainda pode ganhar mais esse outro título".

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Herman Melville - Bartleby, o escriturário

Bartleby, o escriturário
Herman Melville (1819-1891)

O Sincretismo literário

Trata-se de um conto que faz crítica ao sistema social da época, que servir, ainda hoje, como um modelo atual. É a história de um funcionário que foi contratado por um advogado, para exercer as funções de escriturário. O escritório um tanto suspeito, onde rolam negócios obscuros, com funcionários que recebem propina. O autor trouxe para o conto, um advogado, espelhando-se na figura bem sucedida de John Jacob Astor, um arqui-bilionário muito respeitado, apesar do mesmo haver chegado à fortuna trabalhando pouco , e especulando muito. Assim a história será narrada como forma de mostrar as facilidades que encontram certos funcionários do setor público, de se corromperem. Tem os que corrompem e aqueles que são comrropidos. Durante a narrativa o autor vai tazer tipos de personagens com as suas personalidades, a fragilização do sistema cheio da corrupção, e como esse sistema é alimentado. Cada funcionário tem uma característica peculiar de suma importância ao equilíbrio desse sistema.
Percebe-se que o autor vai agregando os personagens, com um único propósito, mostrar como vai se organizando uma cadeia, como vai formar esse elo entre os personagens.
Cada um dos personagens (funcionários) vai entrando e criando um vínculo, com possibilidade de agir individulamnete ou em grupo, tornando-se, no segmento, comprometidos uns com os outros.
E o advogado tem papel fundamental - precisará de cada um, "precisará de causas para defender". Nem sempre será ético.
O autor estará colocando em discussão o sistema público/privado. Há uma mesclagem necessária aos sistemas, para dar segmento aos mesmos.
Começa o advogado pela escolha do lugar para instalar-se com o seu escritório. A escolha é um lugar discreto, acesso tanto difícil, ideal para que permaneça discreto. A sala fica num segundo andar, as portas são de vidro fosco miopisando os espectadores, e o aspecto geral é de uma cisterna com tijolos escurecidos. Tudo indica que a prudência deve prevalecer...
O advogado irá precisar de funcionários. A escolha deve ser projetada de forma que cada um deles se adeque às necessidades do advogado.
Turkey - é ótimo para reagir com facilidade a qualquer ataque; torna-se colérico e bravo com muita facilidade. Reage a qualquer situação de ameça, fica com o rosto emcarnado feito um peru. Se afrontado, jamais intimida-se. Tem também um forte defeito: anda com roupas surradas, e sua aparência é de um personagem pouco asseado. As roupas estão sempre borradas de tinta e gorduras. O significado de Turkey é peru.
Nippers - é o segundo funcionário. Esse já é ambnicioso e indigesto. Essa indigestão vem do fato de ser um funcionário difícil de ser tragado. Mas é bem educado quando precisa, e sabe se fazer respeitar sem o uso da força. Tem o dom do convencimento, por isso, quando o advogado precisa de um funcionário para ir às diligências, por mais que essas tarefas careçam de certa energia para o cumprimento delas, o advogado manda Nippers. Além do mais Nippers é um sujeito bem cuidado, veste-se com esmero, e assim pode tratar com qualquer pessoa do mundo corporativo. O significado do nome Nippers é alicate.
Ginger Nut - É o terceiro funcionário que foi contratado pelo advogado. É um jovem, filho de um carroceiro cheio de ideais, quer que o filho vença na vida, mesmo que para isso seja pouco ético - do tipo que os fins justificam os meios. O Ginger Nut faz os mandados, leva e traz recados, com isso sabe muito, conhece demais a vida da firma. Ao ponto de até ameaçar o próprio patrão.
Finalmente conheçamos o Bartheby - Esse último foi contratado pelo advogado, apenas por dó, por piedade. Será um escriturário que anotará tudo. Trabalhando num lugar separado dos outros funcionários, terá como missão fiscalizar, mas logo vai se tornar rebelde. Desrespeita as ordens do próprio patrão. E o advogado vai se surpreender com as atitudes do novo funcionário. O advogado vai colocar o Bartleby como um símbolo de um resignado, um sofredor, de um personagem que sobrevive às catástrofes. Afinal, o personagem é descrito como uma pessoa raquítica, esquisita, que como às escondidas. E o patrão deve ser generoso para com ele, assim ganhará o reino dos céus. O advogado descobre depois, que Bartleboy fica morando até em seu eccritório, chegando a querer expulsá-lo de lá. Não consegue e o advogado abandona até o seu escritório. Acredita o advogado que se trata de um funcionário com transtorno de personalidade, mas recua diante desse pensamento por achar uma atitude pecaminosa. O advogado sofre com isso.
MAS AFINAL QUEM É ESSE BARTLEBOY?
Depois de analisar o conto cheguei a algumas conclusões, a seguir:
Primeiro - As qualidades de cada um dos personagens foram reunidas pelo autor para mostrar que dentro de uma corporação todos são necessários. Para cada tarefa dentro de uma empresa, será necessário encontrar um funcionário adequado. Por isso as empresas hoje contratam especialistas com tarefas de selecionar material humano, capacitando cada um para exercer suas funções, de acordo com o perfil de cada um.
Segundo - Cabe outra análise ao perfil de Bartleby: De acordo com o raiocínio da médica psiquiatra forense Ana Beatriz Barbosa Silva, que escreveu sobre "mentes perigosas, a mesma afirma o seguinte: - A piedade e a generosidade das pessoas boas podem se transformar em uma folha de papel em branco assinada nas mãos de um psicopata. Quando sentimos pena, estamos vulneráveis emocionalmente, e é a maior arma que os psicopatas podem usar contra nós". Cf. fl 46. Cap 3, Mentes perigosas, O psicopata mora ao lado, Ed. Fontanar, 2008".
Terceiro - " - Minhas primeiras reações haviam sido de pura melancolia e sincera piedade..." E o advogado concluiu também que Bartleboy era um vadio, mesmo assim tinha pena dele.
Alguns estudiosos do conto tr

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Osman Lins

- Os gestos -
Osman Lins

O Sincretismo literário

Marcas principais do conto: Mostra as mudanças na
sociedade familiar, o comando da socidade-familiar
passaria para a mulher e para uma outra classe que
estava surgindo: a dos homossexuais - gais e lésbicas.

O conto osmaniano "Os gestos" foi publicado no ano de 1950. E um conto de espaço que trata da fragmentação do "eu". O foco narrativo é a condição física de André, e o foco de centralização está em André. Já o Foco de Interesse é mostrar a mudança do regime da "sociedade familiar brasileira".

Analisando o conto:

O autor colocou a palavra "gestos" doze vezes em seu conto, levando o leitor a percorrer um caminho de muitas curvas, como forma de retardar o percurso da leitura, e fazendo com que o leitor possa enveredar nesse caminho preso à idéia de que o personagem principal permaneça, sempre, na figura de André.

Colocou o cenário carregado - com nuvens escuras e pesadas, uma árvore frondosa, passaros, lençóis, lenço, tudo para tornar uma atmosfera combinada com as emoções de André, que está triste e solitário, plantado no leito, impossibilitado de sair dali, feito a própria árvore.

O autor também confere um tratamento especial ao personagem André - chama-o "velho André", por que o "velho" aí causa dor, pena, e assim o leitor vai ficar com esse sentimento de piedade pelo André.. Isso é comovente. Assim, André paralisado, dependente dos cuidados da mulher e das filhas gera sentimento de piedade, mas ao mesmo tempo em que se não cuidar todos irão censurá-la. André vai se mostrar ressentido com a esposa e com as filhas e, a partir daí, entra em cena ocupando o cenário, o amigo Rodolfo. O rapaz chega cheio de vida trazendo alegria e conforto, muita felicidade.

Pelo fato de que o personagem Rodolfo é apresentado como jovem, bonito e de boa aparência, gerando um sentimento de alegria e bem-estar. Ao passo que a mulher de André é diferente. Essa personagem é apresentada como velha, não trata o esposo bem, anda com chinelos, roupas escuras enquanto Rodolfo veste-se de branco feito marinheiro, e dá idéia de liberdade, alegria, trazendo saúde. É alento. Rodolfo também traz onspiração para André. Quando ele se senta na cama André abraça-o, e suspira de felicidade. Uma felicidade que era aguardada, eles já se relacionavam anteriormente. Ambos demonstram que sentem prazer nesse afago.

As filhas de André também não o tratam com carinho. A mais nova, Lise, oferece leite com biscoito para alimentá-lo, num gesto pouco mais afetuoso. Isso tem dois significados: o leite é alimento de criança - quem oferece leite é a mãe- e o biscoito é alimento de quem está doente. Induz também a outro sentimento , este ligado a sexualidade, pois a filha mexendo o leite com o dedo aumenta o desejo incestuoso de André. Ele está olhando para ela que se debruça perto dele, e vê os seios da filha. Vem daí à lembrança para André que outrora afagou desejos pela prima, quando pequenos. E a filha lembra as feições daquela prima.
André viu também quando a filha mais velha, Mariana, abriu a gaveta e retirou algo de dentro. Era um absorvente, a filha estava passando de criança para mocinha. Absorvendo aquela nova etapa da vida - vida nova, transformando-se em mulher. A filha Mariana estava usando um cinto, de queixo para cima e seios novos. O cinto significa que ela agora tem o poder, o queixo e os seios quer dizer que ela agora é quem manda, o pai perdeu o poder que exercia sobre ela.
Mãe e filhas estão mostrando para André que ele sobre a cama "perdeu o poder pátrio".
ASPECTOS SOCIAIS ENCONTRADOS NA HISTÓRIA
Década de 1950 - Tempo no qual a história foi escrita pelo autor Osman Lins, foi a época que havia um desejo de se consquistar a independência da mulher, romper as normas que a traziam presas aos pais, e depois de casada, para o que ela era preparada, ao marido. Messe momento histórico, a mulher quer independência, quer casar mais velha, não quer mais usar aliança e nem ser mandada pelo marido. A questão da virgindade (mulher não precisa mais ser virgem para casar, - o modo de trajar também muda, porque a mulher agora usa calças compridas, e o homem também passar a usar roupas coloridas, pulseiras, elimina quase que por completo o uso do paletó e gravatas. Agora a mulher anda sozinha, pode passear nas noites, usar biquine, vai ao cinema, fuma, bebe, etc. E a mulher para morar sozinha não precisa mais ser viúva. Até as tias agora moram sozinhas no seu apartamento.
Outra questão que o autor viu com muita antecedência foi a questão da família ser administrada pela clase de homossexuais.
Assim podemos vislumbrar o quanto o autor Osman Lins estava na vanguarda pelo fato de, com muita antecedência, já haver percebido as mudanças que estavam prestes a acontecer. Enquanto ósé Lins do Rego em fina do século XIX para o início do Século XX percebeu que era nítida a decadência da sociedade patriarcal, Osman Lins, em meados do Século XX escreveu "Os gestos" antevendo que já havia um ruptuura na sociedade-familiar, que o comando dessa sociedade passaria para a mulher e também que muitas famílias seriam regidas pela classe dos homessexuais (dos Gays e das Lésicas).

sábado, 30 de janeiro de 2010

"DOM CASMURRO À LUZ DA PSICOLOGIA"

"... e aqui dou Matéria à meditação dos Psicólogos deste e de outros Continentes, pois, não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo". Machado de Assis.

O livro intitulado "UMA ESTRELA CASMURRA" focaliza a obra machadiana Dom Casmurro à luz da psicologia. A proposta é mostrar que o gênio da literatura brasileira já estava na vanguarda dos estudos dos comportamentos humanos (transtornos de personalidade e desvios de comportamentos).
Na época de Machado de Assis ainda não existia a Psicologia, mas muitas coisas já se respondiam através da ciência, e já haviam sido plantadas as raízes da psicologia com René Descartes (1596-1650), John Locke (1632-1704), e foi por conta do empirismo que se chegou à metodologia científica.
Em 1879 surge na Alemanha o primeiro laboratório para se estudar a ciência da psicologia, plena e independente, com Wilhelm Wundt.
Em 1892 foi criada a Escola Estruturalista (EUA) tendo à frente Wilhelm Wundt e Edward Bradfort. Definindo a psicologia como experiência humana, estudada do ponto de vista da pessoa experiente. Adotava o método da introspecção. O objetivo era conhecer a estrutura da mente, investigar: "o que", "o como" e "o porquê" da experiência ou consciência, separando corpo/espírito, afetos, etc.
Em 1896 surge a Escola Funcionalista, de John Dewey, Willian James e Woodworth. Esta agora se opunha aos métodos da Escola Estruturalista, e vai verificar os processos mentais.
Em 1895 Sigmund Freud já está avançado com os métodos psicoterapêuticos que se funda essencialmente (embora não exclusivamente) na interpretação das resistências e da transparência; na teoria da conduta e da personalidade normais e patológicas, baseada nas elucidações teóricas dos dados do tratamento psicanalítico.
TÉCNICAS:
a) livre associação - inspirada no princípio de associação verbal;
b) interpretação metódica - dos dados livrimente comunicados pelo analisado.
Freud vai trabalhar: interpretação dos sonhos, evolução das teorias sobre neurosos causadas por traumas sexuais, complexo de Édipo. Ainda trabalha o inconsciente, o ato falho, os problemas referentes a infância, ao consciente, o narcisismo, medos, ansiedades, recalques, reistência, transferência, etc.
Em termos cronológicos, a psicanálise se entrecruza com as outras escolas de pensamento psicológico.
Por tudo isso colocado vem a certeza que Machado de Assis já demonstrava grande capacidade intelectual que o levou a interessar-se pela abordagem científica do conhecimento. Resolveu escrever um livro abordando "problemas comportamentais do ser humano". Aqui no Brasil estava Machado de Assis na vanguarda do estudo comportamental das pessoas. Preparou um livro do fênero, por estar bem estruturado na matéria. O livro Dom Casmurro revela todos os caminhos e tendências de um perfeito analista dos comportamentos humanos.
Machado de Assis não foi compreendido, e não sendo compreendido vai ficar conhecido como "um bruxo" - " o bruxo do Cosme Velho".
É lamentável que uma das nossas estrelas da literatura receba um tratamento tão vil, tão indigno de uma Estrela.
O ENREDO DO DOM CASMURRO:
Machado de Assis elaborou o "DOM CASMURRO" colocando como personagens o casal Pedro e Dona Glória recémcasados, que perdem o seu primeiro filho (que nasceu e logo morreu), motivo de um grande desgosto para a família que se inicia. Mas logo a Dona Glória engravida e vai dar luz ao Bentinho que fica vivo e vai crescendo com saúde. Este o princípio da história.
Machado vai trabalhar a personalidade de bentinho, retirando o pai do garoto da cena. Morre o Sr. Pedro.
Já estava junto da família o Sr. José Dias, que depois do falecimento do Sr. Pedro fica cuidando de Bentinho (com a anuência da Dona Glória). E José Dias começa a interferir na vida do garoto. O menino não gosta desse pai substituto (o Agregado).
Entra Capitu para a vida de Bentinho. Ótimo. Mas José Dias não gosta da menina e começa interferindo mais e mais na vida de bentinho. Quer afastar as crianças a qualquer custo. Afinal, está de acorddo codm a Dona Glória que tem uma promessa de meter Bentinho no seminário.
Diante disso Bentinho vai nutrir uma raiva pela mãe ( Bentinho não quer ser padre para ficar distante de capitu) e fica com raiva também de José Dias.
Foi assim que Machado de Assis iniciou a sua história. O afastamento de Bentinho e de Capitu vai gerar nas crianças uma comportamento desviante (em um causa neurose obsessiva e em outro conduz a histeria).
Entram mais outros personagens (criados por Machado de Assis). Cada um deles vai mostar um comportamento desviante tal sejam: paranóide, antessocial, narcisista, dependente, esquiva, e assim sucessivamente.
A obra machadiana é excelente para estudo de comportamentos humanos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dom Casmurro - UMA ESTRELA CASMURRA

" e aqui dou a Matéria à meditação dos Psicólogos deste e de outros
Continentes, pois, não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a
acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo".
Machado de assis.
O livro intitulado "Uma Estrela Casmurra" focaliza a obra machadiana Dom Casmurro à luz da psicologia. A proposta é mostrar que o gênio da literatura brasileira já estava na vanguarda dos estudos dos comportamentos humanos (transtotnos de personalidade e desvios de comportamentos).
Na época de Machado de Assis ainda não existia a Psicologia, mas muitas coisas já se respondiam através da ciência, e já haviam sido plantadas as raízes da psicologia com Descates , John Locke e foi por conta do empirismo que se chegou à metodologia científica.
Em 1879 surge na Alemanha o primeiro laboratório para se estudar a ciência da psicologia, plena e independente, com Wilhem Wundt.
Em 1892 foi criada a Escola Estruturalista, nos Estados Unidos da América (EUA), tendo à frente Wilhelm Wundt e Edward Bradfort . Definindo a psicologia como experiência humana, estudada do ponto de vista da pessoa experiente. Adotava o método da intrspecção. O objetivo era conhecer a estrutura da mente, investigar: "o que", "o como" e "o porquê" da experiência ou consciência, separando corpo/mente, afetos, etc.
Em 1896 surge a Escola Funcionalista de John Sewey, Willian James e WoodWorth. Esta agora se opunha aos métodos da Escola Estruturalista, e vai verificar os processos mentais.
Em 1895 Freud já está avançado com os métodos psicoterapêuticos trabalhando os o inconsciente, o ato falho, os problemas referentes a infância, ao consciente, narcisismo, etc.
Por tudo isso que coloco acimavem à certeza que Machaddo de Assis já estava também, aqui no Brasil, preparando algo do gênero. O seu livro Dom Casmurro está estruturado com todos os requintes de um bom observador da mente humana. Machado de Assis estava na vanguarda aqui no Brasil, diferentemente dos seus contemporâneos. Não foi compreendido. E não se compreendendo o objetivo de seu trabalho, vai ficar conhecido por "o bruxo do Cosme Velho". Apenas por não ser compreendido, repito, a nossa estrela maior recebe um tratamento indigno de uma estrela. Temos um dos mais talentosos representantes da nossa literatura, não compreendido, que vai ser tratado com um peso e duas medidas: um inteligente, um bruxo.
A obra machadiana Dom Casmurro deve ser vista como um trabalho preparado para psicológos. Não pode ser de outra maneira. O objetivo de Machado de Assis foi preparar um trabalho sobre o comportamento humano.
O ENREDO DO "DOM CASMURRO:
Machado de Assis elaborou seu trabalho colocando como personagens o casal Pedro e Glória, ainda recémcasados que perdem o seu primeiro filho (nasceu e logo morreu), motivo de grande desgosto para a família que se inicia. Mas a Dona Glória engravida novamente, e vem outro menino, que fica vivo. O segundo filho será motivo de grande alegria para aquele lar. Esse filho vai chamar-se Bentinho. Esse é o início de toda a história: o nascimento de Bentinho.
Depois Machadod de Assis vai retirar o pai de Bentinho do convívio da família, quando o Sr. Pedro passa a residir na cidade (agora vai dedicar-se ao senado federal). Vai pouquíssimas vezes em casa, e Bentinho devido a esse afastamento, lembra pouco da fisionomia do pai. O Sr. Pedro morre, Bento fica órfão.
Entra para a vida de Bentinho uma espécie de pai substituto: José Dias. bento não gosta.
E por que machado de Assis vai trabalhar a história assim? - Para mostrar a formação da personalidade do menino. Distante do pai natural Bentinho vai sofrer a interdição de uma outra pessoa, com a anuência da própria mãe. Dona Glória vai deixar Bentinho sob os cuidados de José Dias.
Entram outros personagens para a história, são os parentes da Dona Glória. E todos dão opinião na vida do garoto.
Machado de Assis também coloca Capitulina (Capitu) na vida de Bentinho. Mas a garota vai sendo rejeitada pela Dona Glória que prometeu bentinho para o Seminário, e por José Dias que fica vigiando as crianças com a finalidade de afastá-los para que a promessa seja cumprida. Afinal Bento tem que ser padre.
Por isso Bentinho vai contando o que escuta em casa a Capitu e vai se tornando uma pessoa amargurada. Vai tornar-se um neurótico. E como ele transferiu seus problemas para Capitu, a mesma vai afastar-se dele. Criam-se assim as duas crianças com problemas que, mais tarde, vai tornar-se em neurose. Bento vai se apegar demasiadamente a Capitu e a menina vai sentir-se incomodada. Rejeita Bentinho.
São tantas as interdições que Capitu vai abandonar o afeto de Bentinho e vai tornar-se uma jovem problemática. Capitu também vai tornar-se uma portadora de um desvio de personalidade, tendendo ao homossexualismo.
Machado de Assis trabalha todos os personagens com desvios de personalidade e dos comportamentos chegando-se às patologias, que serão e xplicados à luz da psicologia. Todos os ingredientes colocados nos personagens da obra Dom casmurro têm o intuito de demonstrar como se dá a formação da personalidade humana: a origem das frustrações, dos traumas, ansiedades e assim por diante.
O Dom Casmurro é um verdadeiro documento para ser estudado dentro da área da psicologia.
Dos dezoito personagens da obra citada, dezesseis são portadoras de desvios de comportamento (paranóias, esquizóides, antessocial, borderline, narcisismo, entre outros).
Machado de Assis, uma das brilhantes da nossa literatura brasileira e conhecido universalmente, precisa ser lembrado como um dos precursores da psicologia. Seus tabalhos devem ser vistos com o objetivo proposto pelo próprio.
" - Lembrou-me escrever um livro: Jurisprudência, filosofia e política. Depois pensei fazer Histórias de Surbúbios". "... e aqui dou Matéria á meditação dos psicólogos deste e de outros Continentes..." Machado de Assis.
Machado de Assis nada escreveu de sobrenatural. Infelizmente não foi entendido e recebeu um tratamento tão vulgar: " o bruxo do Cosme Velho".
Espero que a Nossa Estrela Maior seja vista como "Estrela, a nossa grande Estrela".
Verluce